O pé diabético é, hoje, um dos temas mais sensíveis e de maior impacto na saúde pública mundial.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ocorre uma amputação relacionada ao diabetes a cada 30 segundos no mundo — e mais de 80% dessas amputações poderiam ser evitadas com prevenção adequada (OMS, 2023).
Nesse cenário, o papel do podólogo deixa de ser complementar e passa a ser estrutural dentro da cadeia de cuidado.
Este artigo é um guia fundamental para quem deseja compreender como o olhar clínico do podólogo pode literalmente salvar membros, mobilidade e qualidade de vida.
1. O que é o pé diabético?
O termo “pé diabético” refere-se ao conjunto de complicações nos pés decorrentes do diabetes mellitus, normalmente provocadas pela combinação de:
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neuropatia periférica (perda de sensibilidade)
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doença arterial periférica (redução da circulação)
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alterações biomecânicas (sobrepressão e deformidades)
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infecções que evoluem rapidamente
De acordo com o Ministério da Saúde, até 25% dos pacientes diabéticos desenvolverão algum grau de pé diabético ao longo da vida (BRASIL, 2021).
Sem dor, sem alerta e sem percepção do risco — é exatamente aí que mora o perigo.
E é nesse ponto que o podólogo pode mudar completamente o destino do paciente.
2. Por que o podólogo é determinante na prevenção?
A prevenção das lesões do pé diabético é essencialmente uma tarefa de inspeção clínica frequente, algo que nem médicos generalistas nem especialistas conseguem oferecer com a mesma regularidade.
O podólogo é o profissional mais próximo, treinado para identificar microalterações e com capacidade técnica de atuar antes que uma lesão se torne irreversível.
O olhar podológico detecta precocemente:
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áreas de hiperpressão
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fissuras que podem evoluir para feridas
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ressecamentos que se transformam em portas de entrada para infecção
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alterações de marcha
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unhas que podem perfurar a pele
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perda de sensibilidade tátil, térmica ou vibratória
Segundo o IWGDF – International Working Group on the Diabetic Foot, avaliações podológicas periódicas reduzem até 85% das amputações (IWGDF, 2022).
3. Principais sinais de alerta no primeiro atendimento
O podólogo deve ter um checklist próprio e estruturado.
Entre os principais achados clínicos que exigem cuidado imediato estão:
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calosidades espessas em áreas de carga
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rachaduras profundas no calcanhar
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micoses interdigitais (porta de entrada para bactérias)
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hiperqueratose em cabeça de metatarso
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unhas deformadas ou encravadas em pacientes com neuropatia
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temperatura assimétrica entre os pés
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edema persistente
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pulsos pedal e tibial reduzidos
Cada um desses sinais, por si só, não significa amputação iminente.
Mas, no contexto do diabetes, podem ser o início de uma cadeia de eventos grave.
4. Como a prática podológica previne amputações?
A prevenção ocorre por três pilares fundamentais:
4.1. Controle de pressão plantar
Com o uso de:
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órteses de proteção
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silicone técnico (ortoplastia)
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palmilhas sob medida
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compensações biomecânicas
4.2. Proteção da pele
Com técnicas de:
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redução segura de calosidades
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hidratação controlada
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prevenção de fissuras
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manejo de unhas que poderiam perfurar a pele
4.3. Educação do paciente
Instruções essenciais:
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inspeção diária dos pés
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escolha correta dos calçados
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evitar andar descalço
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identificar sinais precoces de infecção
A podologia é, ao mesmo tempo, clínica, preventiva e educativa.
5. Quando encaminhar imediatamente ao médico
Mesmo com atuação preventiva, existem sinais que exigem intervenção médica urgente:
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feridas abertas com mais de 48 horas
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áreas com odor fétido ou secreção purulenta
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necrose (escurecimento)
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febre ou sinais sistêmicos
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dor intensa súbita em paciente com neuropatia (pode indicar infecção ou síndrome de Charcot)
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ausência de pulsos ou extremidade fria
O podólogo não substitui o médico — mas é, muitas vezes, quem primeiro detecta a gravidade e salva o paciente de uma progressão silenciosa.
6. O impacto social da podologia no pé diabético
Segundo o Ministério da Saúde, 70% das amputações no Brasil são decorrentes de complicações do diabetes (BRASIL, 2021).
Ao prevenir uma única lesão, o podólogo:
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evita internações
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reduz custos hospitalares
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protege a mobilidade
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preserva a autoestima
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previne sequelas permanentes
É um impacto que transcende a saúde e atinge a dignidade humana.
7. O papel da Podo Beauty Academy nesse processo
A Podo Beauty Academy tem compromisso com:
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segurança clínica
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informação atualizada
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protocolos acessíveis
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educação contínua
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cuidado humanizado
Nosso objetivo é elevar o padrão da podologia brasileira — especialmente no atendimento ao paciente diabético, que exige conhecimento, sensibilidade e precisão técnica.
Referências
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BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes para o cuidado da pessoa com diabetes mellitus. Brasília, 2021.
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INTERNATIONAL WORKING GROUP ON THE DIABETIC FOOT (IWGDF). Guidelines on the Prevention and Management of Diabetic Foot Disease. 2022.
-
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Global report on diabetes. Genebra, 2023.
-
SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES (SBD). Atualização sobre Pé Diabético. São Paulo, 2021.
