A ortoplastia é uma das técnicas mais importantes da podologia moderna — versátil, segura e altamente eficaz na prevenção de lesões digitais, na correção de deformidades leves e no alívio de áreas de pressão.
Quando aplicada com silicone clínico de qualidade, moldado diretamente no pé do paciente, a técnica proporciona conforto imediato, melhora funcional e desempenha um papel essencial na biomecânica preventiva.
Este guia reúne fundamentos técnicos avançados, evidências científicas e práticas adotadas por especialistas como José Alves, Adão Neto e Israel de Toledo, além de estudos nacionais e internacionais sobre órteses de silicone.
1. O que é ortoplastia e por que ela é tão importante?
A ortoplastia consiste na confecção de órteses digitais em silicone, moldadas sob medida, com o objetivo de:
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redistribuir cargas e reduzir hiperpressões
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proteger áreas sensíveis
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corrigir desalinhamentos leves
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diminuir atrito e impacto
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prevenir helomas, fissuras e ulcerações
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melhorar o conforto e a função durante a marcha
Segundo Toledo (2009), a avaliação biomecânica e a leitura dos pontos de atrito são pilares fundamentais da prevenção podológica e da correta indicação da órtese.
Em pacientes com diabetes — grupo particularmente vulnerável — estudo brasileiro recente (Bramante, 2025) demonstrou que órteses digitais de silicone melhoram a distribuição da pressão plantar, reforçando o papel da ortoplastia na prevenção de ulcerações.
2. Tipos de silicone clínico e quando usar cada um
De acordo com Adão Neto (2025), referência brasileira em ortoplastia, a dureza do silicone define o objetivo terapêutico da órtese:
2.1. Extra Soft
Indicado para:
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áreas muito sensíveis
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pés neuropatas
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idosos
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proteção contra atrito leve
2.2. Soft
Indicado para:
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órteses de proteção
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correções leves
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atrito interdigital
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uso diário prolongado
2.3. Medium
Indicado para:
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correções estruturais
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dedos em garra
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órteses interdigitais com necessidade de estabilidade
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suporte mais firme
A Revista Digital de Podologia (2022) destaca o uso de órteses estruturais de silicone para suporte leve em patologias como hálux valgo, reforçando a importância da escolha correta da dureza.
3. Evidências científicas sobre o uso de silicone em órteses
A literatura técnica e científica apoia o uso do silicone em aplicações podológicas.
3.1. Comportamento mecânico e durabilidade
Silicones de qualidade possuem comportamento de fluência (“creep”) estável, essencial para sua durabilidade clínica (Janeiro-Arocas, 2016).
3.2. Melhora funcional e de marcha
Estudos biomecânicos mostram que órteses de silicone influenciam positivamente parâmetros do caminhar e suporte estático (Khmelevskaya et al., 2012).
3.3. Redução de dor e otimização da função
Revisão sistemática (Cabrera-Sánchez et al., 2024) demonstra que órteses personalizadas reduzem dor e melhoram função em doenças crônicas dos pés.
3.4. Evidências brasileiras
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Bramante (2025): melhora da estabilidade e pressão plantar em diabéticos.
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Souza & Bega (2020): alterações biomecânicas mensuráveis com termografia e baropodometria após uso de órteses.
4. Materiais necessários
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Silicone Podo Beauty (Extra Soft, Soft ou Medium)
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Catalisador
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Espátula (opcional)
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Recipiente para mistura (opcional)
5. Passo a passo profissional da ortoplastia
5.1. Avaliação clínica e biomecânica
Como ensina José Alves, a avaliação é a etapa mais importante da ortoplastia. Analise:
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pontos de atrito
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áreas de hiperpressão
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calosidades
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formato e mobilidade dos dedos
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sensibilidade (especialmente em diabéticos)
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calçados utilizados
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presença de dor
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alinhamento digital
5.2. Escolha da dureza correta
Conforme Adão Neto (2025):
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Para proteção: Extra Soft ou Soft
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Para correções estruturais: Medium
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Para diabéticos: priorizar conforto e maciez
5.3. Proporção correta de mistura (Padrão Técnico Oficial Podo Beauty)
A linha de silicones Podo Beauty segue proporções precisas entre base e catalisador para garantir segurança, elasticidade e desempenho clínico.
Tabela oficial:
| Silicone Base Podo Beauty | Catalisador | Tempo de Mistura | Tempo de Trabalho | Cura a 23°C |
|---|---|---|---|---|
| 8,5 g (1 medida) | 0,135 g (1,7 cm × 0,35 cm) | 30 s | 1 min 30 s | 4–8 min |
| 17 g (2 medidas) | 0,27 g (3,5 cm × 0,35 cm) | 30 s | 1 min 30 s | 4–8 min |
| 25,5 g (3 medidas) | 0,405 g (5,2 cm × 0,35 cm) | 30 s | 1 min 30 s | 4–8 min |
Observações técnicas:
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Misture a base com o catalisador por 30 segundos, até uniformizar a cor.
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Temperaturas mais altas aceleram a cura.
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Trabalhe de forma contínua e organizada dentro do tempo útil de 1 min 30 s.
5.4. Moldagem clínica — Procedimento oficial Podo Beauty
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Pegue a medida da Base Podo Beauty usando a colher medidora.
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Homogeneíze a base com as mãos por cerca de 15 segundos.
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Realize uma pré-moldagem no pé do paciente.
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Adicione o Catalisador Podo Beauty e misture por mais 15 segundos.
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Dentro de até 30 segundos após a mistura, leve o silicone ao pé para moldagem.
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Mantenha o silicone no local até que ocorra a presa/cura inicial (4–8 minutos).
Esse procedimento garante uma moldagem fiel à anatomia e reduz tensões estruturais.
5.5. Acabamento, repouso e finalização da órtese
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Retire a órtese após a cura inicial.
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Realize o acabamento, arredondando bordas e removendo irregularidades.
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Deixe a órtese descansar por 24 horas, em ambiente ventilado entre 15°C e 30°C.
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Após esse repouso, a órtese Podo Beauty está pronta para uso clínico.
Esse período garante maior estabilidade, durabilidade e segurança.
6. Orientações ao paciente
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Lavar com água e sabão neutro.
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Não expor ao calor.
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Usar somente no pé indicado.
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Suspender uso em caso de vermelhidão ou dor.
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Retornar para ajustes periódicos.
7. Contraindicações
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feridas abertas
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infecções ativas
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micoses severas
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necrose
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vasculopatia grave
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dor extrema
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possível alergia ao material
8. Conclusão
A ortoplastia é uma ferramenta essencial da podologia contemporânea. Quando realizada com técnica, avaliação criteriosa e silicone de qualidade, ela oferece:
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prevenção
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conforto
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segurança
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individualização
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melhora funcional
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longevidade clínica
Reforça, ainda, a posição do podólogo como profissional central na saúde preventiva dos pés.
Referências (ABNT)
BRAMANTE, C. N. Órteses digitais de silicone em ortoplastia: estratégias para a saúde podiátrica em pessoas com diabetes. Revista REMECS, 2025.
CABRERA-SÁNCHEZ, J. M. et al. Effect of Foot Orthoses and Footwear in People with Rheumatoid Arthritis. Healthcare, v.12, n.20, p.2017, 2024.
JANEIRO-AROCAS, J. Creep analysis of silicone for podiatry applications. Journal of the Mechanical Behavior of Biomedical Materials, v.64, p.41-49, 2016.
KHMELEVSKAYA, I. et al. Influence of a silicon orthosis on walking of patients with drop foot. OTP Journal, 2012.
REVISTA DIGITAL DE PODOLOGIA. Uso de órtese estrutural de silicone no tratamento do hálux valgo. Edição 14, 2022.
SOUZA, A. R.; BEGA, A. Uso da termografia e baropodometria para avaliação de órteses plantares: estudo de caso. Revista Ibero-Americana de Podologia, v.2, n.2, p.236-246, 2020.
TOLEDO, I. Identificando as 7 principais patologias dos pés. Revista Digital de Podologia, 2009.
NETO, A. Workshop: Ortoplastia do Zero à Aplicação Perfeita. 2025.
